Lars Von Trier

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Experimento de novas técnicas em “O Reino”

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O ReinoOs primeiros filmes da carreira de Trier vinham apresentando uma composição visual complexa, carregada de simbologias e elementos que os classificavam, muitas vezes, como produtos demasiadamente calculados e frios. Trier alega (2005, p.154) que esse fator dificultava até mesmo seu convívio com os atores, pois, até aquele momento, eles funcionavam apenas como peças de xadrez que ele movimentava a fim de chegar às imagens que queria, e pouco podiam opinar.

Ele percebeu, então, que não se sentia completamente satisfeito com essa forma de trabalho, pois, quando seguia todas as suas propostas técnicas, e seus storyboards com afinco, sempre lhe parecia que algo era perdido durante as gravações. Passou a procurar uma nova forma de trabalho, em que pudesse oferecer maior liberdade aos atores, e assim obter resultados mais emotivos e interessantes.


Em 1994, Trier dirigiu para a televisão dinamarquesa a minissérie de terror e humor negro “O Reino”, que já indicava grandes mudanças nas suas técnicas de filmagem. Ela mostrava o dia-a-dia de um hospital onde inúmeros fenômenos paranormais e assombrações aparecem e, Trier, a retratou através de uma imagem granulada e escura, dando o clima e o destaque aos personagens e suas tramas bizarras. Grande parte das seqüências eram gravadas com a câmera de mão, os cortes da montagem eram secos e a iluminação original mantida. O resultado cru era exatamente o que a série precisava, e o sucesso foi tão grande que mais tarde Trier dirigiu “O Reino II”, com novos episódios, e os lançou editados em um longa-metragem de 4 horas exibido em festivais de cinema por todo o mundo.

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